João V, Protetor da Biblioteca

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Transcrição

Em Portugal, o século XVIII é um tempo de retoma. Consegue-se a independência de Espanha, depois de uma união forçada de 60 anos. O ouro, os diamantes, o tabaco, o açúcar, o café, as especiarias e os escravos que vinham dos quatro cantos do mundo enchiam os cofres do reino. Neste ambiente de prosperidade, D. João V pretende reposicionar Portugal no xadrez político internacional, para isso investindo no prestígio da coroa, interna e externamente. Rodeou-se do melhor que se fazia à época, sempre de olhos postos na Roma papal e na Paris de Luís XIV, que lhe serviam de modelos. Da Europa mandava vir livros e álbuns de gravuras, mas também artistas estrangeiros e obras magníficas. Em troca, enviava sumptuosas embaixadas ao Imperador Leopoldo I, a Luís XIV e ao Papa. Acompanhando o movimento cultural renovador que se fazia sentir lá fora, D. João V assume o papel de patrono do saber e das artes.

Por isso, quando manda construir uma biblioteca, pretende muito mais que uma simples casa para livros, útil e pouco dispendiosa como se chegou a prever no início. A Biblioteca Joanina ergue-se como peça fundamental da estratégia global para celebrar um monarca magnífico e iluminado, protetor do conhecimento. E como aqui se prova, protetor desta biblioteca.