Ativismo Estudantil dos Anos 60 como Património

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Transcrição

No século XX, a consciência estudantil transforma-se profundamente. A «crise académica de 62», com epicentro em Lisboa, assinala o início do processo em que os estudantes se tornam um coletivo com uma agenda de preocupações que ultrapassam os aspetos académicos. Foram ganhando consciência política, para a qual contribuíram alguns fatores: tinha começado a guerra colonial em 1961 e surgem ou fortalecem-se alternativas ao regime que rivalizam com o Partido Comunista Português.

Em Coimbra, a década de 60 ficou marcada por uma renovação intelectual e cultural. Também se faziam sentir os ecos do maio de 1968 em França. Na Associação Académica uma lista antirregime e suprapartidária vence as eleições para a Direção, em 1969. Nesse ano, durante a inauguração do Departamento de Matemática o recém-eleito presidente da Associação Académica é impedido de falar. Desencadeia-se um forte protesto público. O regime responde com a detenção daquele estudante e a suspensão de alguns dirigentes da Associação. A reação não tardou, os estudantes declararam o «luto académico» e a Universidade foi temporariamente encerrada pelo Governo. Vários docentes solidarizam-se com os estudantes. Num clima de repressão crescente, alguns alunos foram expulsos ou incorporados à força no Exército. A «crise de 69», como ficou conhecida, foi o mais emblemático momento de oposição estudantil coimbrã ao Estado Novo, ganhando projeção nacional com a solidariedade das Universidades de Lisboa e Porto. Esta crise permanece viva no imaginário de Coimbra e converteu-se num património invocado pelas gerações de ativistas estudantis até aos dias de hoje.