A Cidade Universitária como Obra de Arte Total

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Transcrição
As obras arrastaram-se por mais de três décadas, terminado em 1975, já depois da queda do regime. Apesar de os edifícios da cidade universitária terem sido projetados por diferentes arquitetos, o conjunto mantém a uniformidade clássica.
No entanto, à semelhança de outros regimes ditatoriais, o Estado Novo cultivou outras linguagens estéticas. A escolha variava consoante o local, a função e o público. Encontramos um bom exemplo dessa capacidade de adaptação na Associação Académica, depois de descer as escadas monumentais. O conjunto de edifícios desenhado para a mais antiga associação do país, o qual incluía diferentes blocos como cantinas, teatro e salas de ensaio, apresenta uma linguagem formal mais arrojada. Apesar das críticas que recebeu, foi concluído em 1962.
A cidade universitária deve ser entendida como uma obra de arte total. A intervenção estendeu-se a todos os detalhes: aos candeeiros da rua, ao mobiliário no interior dos edifícios, às placas identificativas dos espaços. As artes plásticas tiveram aqui um papel fulcral. Coube-lhes enobrecer o espaço público e os interiores. Estátuas, baixo-relevos, pinturas e tapeçarias foram, além disso, veículos da ideologia do Estado Novo. Os temas representados dividem-se entre o nacionalismo, refletido na história e cultura portuguesas, e o universalismo, representado pela Antiguidade Clássica. Em termos artísticos, impera a sobriedade académica. Exceções a estes temas e opções estilísticas apareceram mais tarde. Entre elas destaca-se a escultura abstrata de Fernando Conduto, localizada no pátio dos Departamentos de Física e de Química, ao qual pode aceder a partir da Rua Larga. Concebida na reta final do Estado Novo, é a única obra na cidade universitária que permite uma total liberdade de interpretação, não limitando com um tema a relação entre o indivíduo e o fenómeno artístico.


