A Cidade Universitária como Arquitetura do Poder

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Transcrição
O Estado Novo sucedeu a uma Ditadura Militar instaurada em 1926. Este regime vigorou em Portugal entre 1933 e 1974, constituindo a mais longa ditadura da Europa Ocidental.
O controlo que o Estado Novo exercia na universidade — nos campos científico, pedagógico e administrativo — ia também ficar visível na organização do próprio espaço. Criou a sua versão de «cidade universitária». Localizada na Alta de Coimbra, reuniu toda a comunidade estudantil, afastou todas as funções que não eram académicas, procurando evitar a dispersão e as influências que ameaçassem a formação e educação idealizadas pelo regime.
O plano geral da cidade universitária foi concebido pelo arquiteto Cottinelli Telmo e gestão de todo o processo entregue ao engenheiro Manuel de Sá e Melo. Esta dupla já tinha dado provas da capacidade de trabalho na preparação da Exposição do Mundo português, em Lisboa, em 1940. O carácter cenográfico dessa exposição, para a qual contribuiu a experiência de Cottinelli como cineasta, ficou patente na cidade universitária. O seu plano previa a criação, de raiz, do complexo monumental que nos rodeia. Basta observar as vastas perspetivas, a simetria e a retidão no desenho do espaço urbano, a escala dos edifícios num estilo clássico e depurado. A este projeto de conjunto foi acrescentada uma escadaria monumental de acesso à Praça, vincando o quão difícil era física e simbolicamente aceder à universidade. Estas são características da arquitetura do poder, que encontramos em vários tipos de regimes políticos, mas que as ditaduras da época cultivaram com especial gosto.


