O Interior da Capela de São Miguel

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Transcrição
Ao entrarmos na nave revestida com azulejos padrão, impõe-se o majestoso órgão barroco, aqui colocado por D. João V, em 1733. Com mais de 2000 tubos, esta exuberante caixa em talha dourada integra pintura com motivos de chinoiserie, solução decorativa muito em voga na época.
Na capela-mor ocupa lugar de destaque a imagem do arcanjo S. Miguel, a que o templo é dedicado, e o retábulo com pinturas alusivas à Vida de Cristo.
Os altares laterais são dedicados a Nossa Senhora da Luz e a Sta. Catarina, padroeiras da comunidade académica. Sobre esta última, vale a pena recordar a passagem do Padre António Vieira por Coimbra, em 1663, ano em que profere o célebre Sermão de Sta. Catarina.
Junto ao altar do lado direito, impõe-se a grande escultura da Imaculada Conceição, Padroeira de Portugal e da Universidade. Até ao século XIX, os Estatutos desta instituição obrigavam a que professores e graduados jurassem solenemente perante a padroeira, demonstrando pela mesma uma devoção crescente.
O estatuto de capela universitária é também visível no teto do altar-mor. Ao centro colocou-se a insígnia da Universidade, representada pela figuração da Sabedoria. À sua volta, os emblemas das Faculdades principais: Teologia, Cânones, Leis e Medicina. Nos finais do séc. XVIII, também nas obras da capela se reafirma o poder real na Universidade.
Ao construir-se uma tribuna real sobre o coro-alto, com ligação ao Paço, o rei assumia o privilégio de assistir às cerimónias académicas em espaço próprio, reservado da comunidade, mas com grande visibilidade para o altar.
Na atualidade, a capela pode ser usada por toda a comunidade universitária para realizar casamentos ou cerimónias fúnebres. Os professores doutores, envergando o seu traje académico, ocupam lugar reservado na capela-mor, e que, por regra, não é acessível aos leigos.


